

Música Íntima #22. Cerradenses. Vagalume é um bicho pequeno, mas imenso por ter luz. Por desmatarem muito a mata para passar a boiada, o Cerrado tem ficado cada vez mais serrado e a mata cada vez mais rara. Se fica difícil ver vagalume fora da cidade, imagina na cidade. Ah, Goiânia...para se parecer cada vez mais moderna fica tentando vestir o "sô" do nosso véio caipira pelo "sou". Goiânia está cortando as árvores para passar os fios elétricos, parece que a cidade quer perder a luz do olhar. O cerrado, quando saíamos da cidade, ou até mesmo dentro dela, podíamos ver, por acaso mesmo, as vagas luzes passando pelo mato!
Ai, a cidade, os prédios cada vez mais altos e de vidro. O vidro da fachada existe apenas para refletir o outro prédio da frente, ou do lado, tipo os stories. Bom mesmo são os Toy Stories!
Olhando para os vidros das fachadas dos prédios, ou do celular, a gente não consegue nem ver as vagas luzes que dançam no mato ou na cidade. Arquitetura "sou" moderna é importante ser arquiternura. Fuleragem, há luz na fuleragem, quando não se está nem aí, a gente troça e se enrosca. Há luz no riso, nos encontros! Quando a tarde se anuncia, tem que se aprender mesmo é a ser lunático, a perder tempo. Não são aqueles que só o ganham os que podem tornar o sol atômico? Ah, os vagalumes. Em que ritmo a luz dança? Valsa, salsa? As vagas luzes podem não estar nem aí, apenas dançar em seu próprio ritmo. Será que o ritmo é regular, ou o pulso apenas vaga? Você pode aprender, estudar, dançar. Ganhar ou perder tempo, qual é o mal necessário? Será o amor um sufoco? Ah, estava quase esquecendo, as vagas luzes que passam no mato voando, zombem, elas têm som. Enquanto o azul do céu não se torna apenas cinza, a mata não fique totalmente serrada e os vagalumes não se extinguem ou virem zumbis - pois suas luzes não são eternas - teça, invente um nome, um reencontro com o que vai ressoar em seu corpo.
Rodrigo Oliveira dos Santos
