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Um grupo que está sempre com outra cara. A cada apresentação, o repertório, os instrumentos e os músicos se renovam. Formado em 2017, o Música Íntima tem uma proposta, se não inédita, pelo menos incomum: é um grupo formado apenas por compositores. Eis por que no palco não é certo que os rostos se repitam: os integrantes do grupo são, nãos os que tocam, mas os que escrevem. 

 

Formado por Douglas Sá, Gabriel Araújo (prêmio funarte 2022 com a composição Close to Me), Gilberto Filho, Lucas Manassés, Luiz Gonçalves (prêmio Funarte 2012 com a composição Requiem), Rodrigo Oliveira e Ubiratan Costa, e fruto de uma amizade de mais de 10 anos dos seus integrantes, o Música Íntima possui outra particularidade além de ser grupo exclusivamente de compositores: o repertório apresentado é a 'música contemporânea' (como se chama a música para concerto do nosso tempo).

 

A sintonia entre seus compositores é, antes de mais nada, ideológica: acreditam numa música contemporânea com DNA brasileiro. Avessos a nacionalismos, patriotismos e outros perigos afins, os integrantes do grupo buscam, no entanto, uma música para concerto que tenha a nossa cara e reflita o nosso cotidiano.

 

Nesta nova edição, de número 21, o Música Íntima traz como mote a canção, e torna letristas os nossos poetas. Trazendo ao público a poesia de Cecília Meireles, Carlos Drummond de Andrade, Yêda Schmaltz, Orides Fontela e Luzia Sá, o grupo apresenta também algumas composições feitas com textos próprios. Este concerto do Música Íntima conta ainda com a participação de Estércio Cunha enquanto compositor convidado. Estércio, pioneiro da música contemporânea no cerrado goiano, e também um dos compositores brasileiros mais prolíficos, é, ainda que não integrante do grupo, uma presença constante no repertório dos seus concertos.

 

Para os compositores do Música Íntima, com pouca frequência é que uma letra de canção pode ser de fato chamada de poesia, pois acreditam que uma letra, se separada da música que a acompanha, geralmente não sobrevive sozinha. A opção do  grupo por musicar, em quase todos os casos, poemas já existentes, revela o desejo de levar aos palcos a arte da poesia. E o grupo entende que nunca estivemos tão longe dos nossos poetas como agora.

 

Por trazer o apelo do instante e do momento num mundo tão ausente de fruição, a poesia, segundo os integrantes do Música Íntima, "paga o preço de caminhar na contramão de uma era: o seu próprio desterro". Eles acreditam que, "se desterrada está toda arte que ousa apresentar-se, não como produto, mas como acontecimento, a música contemporânea também vive um desterro, porque é também uma arte do instante e do mergulho."

 

Assim define este novo concerto o também poeta Ubiratan Costa, integrante do grupo: "neste repertório se encontram, enquanto irmãs, as vozes de nossos poetas e essa música do instante, a música contemporânea: irmãs unidas no “outro lado da noite”, que é para onde foge tudo aquilo que está desperto."

Matéria completa: https://digital.dm.com.br/#!/view?e=20230620&p=11

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